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Em 26/08/2009.
Direção Espiritual - Perguntas e Respostas
Direção Espiritual com Pe. Fróes
1ª pergunta: É contra a vontade de Deus doar órgãos de uma pessoa que já morreu (no caso de morte cerebral), para salvar a vida de outras pessoas? (C.A de Bonsucesso – RJ)
Querida C., não. Não é contra a vontade de Deus a doação de órgãos visando a ajudar ou salvar a vida de outras pessoas. Isso deve ser compreendido como atitude e amor cristão. Se Deus nos diz que devemos dar a vida, que é o dom mais precioso que temos, por que não doar órgãos do corpo humano, que poderão continuar servindo e melhorando a quantidade de vida de outras pessoas neste mundo?
O magistério da Igreja tem se manifestado favorável à doação voluntária de órgãos. O Catecismo da Igreja Católica afirma: “a doação gratuita de órgãos após a morte é legítima e pode ser meritória” (n. 2301). A encíclica Evangelium Vitae ensina: “merece particular apreço a doação de órgãos feita segundo normas eticamente aceitáveis para oferecer possibilidades de saúde e de vida a doentes, por vezes já sem esperança” (n. 86). O Papa João Paulo II por ocasião do 18º Congresso Internacional sobre Transplantes de Órgãos, dizia: “A doação de órgãos é uma decisão livre de oferecer, sem recompensa, uma parte do próprio corpo em benefício da saúde e do bem-estar de outra pessoa”. (Roma 29 de agosto de 2000).
No entanto, destacamos que a doação de órgãos exige rigorosa observância dos princípios éticos que proíbem a provocação da morte dos doadores, a comercialização e o tráfico de órgãos. Sejam conscienciosamente respeitadas a inviolabilidade da vida e a dignidade da pessoa. A ética determina, ainda, que o consentimento do doador ou de sua família seja livre e consciente, após ter recebido todas as informações requeridas.
Espero ter respondida a sua pergunta com êxito. Um abraço. Pe. Fróes.
2ª Pergunta: Qual é o destino eterno da pessoa que se suicida? (M. de Araruama – RJ)
Querida M. o direito sobre a vida pertence a Deus. Só ele, tem o direito de tirar a vida humana. O suicídio, pois, é pecado contra o mandamento que diz: “Não matarás.” Por isso, salvo no caso em que estiver fora do seu juízo normal (pertubações ou pressões psicológicas), o suicida morre numa demonstração de absoluta falta de confiança em Deus.
O Catecismo da Igreja ensina que:
§2280 – “Cada um é responsável por sua vida diante de Deus que lha deu e que dela é sempre o único e soberano Senhor. Devemos receber a vida com reconhecimento e preservá-la para sua honra e a salvação de nossas almas. Somos os administradores e não os proprietários da vida que Deus nos confiou. Não podemos dispor dela”.
§2281 – “O suicídio contradiz a inclinação natural do ser humano a conservar e perpetuar a própria vida. É gravemente contrário ao justo amor de si mesmo. Ofende igualmente o amor do próximo porque rompe injustamente os vínculos de solidariedade com as sociedades familiar, nacional e humana, às quais nos ligam muitas obrigações. O suicídio é contrário ao amor do Deus vivo”.
à Mas o Catecismo lembra também que a culpa da pessoa suicida pode ser muito diminuída:
§2282 – “Se for cometido com a intenção de servir de exemplo, principalmente para os jovens, o suicídio adquire ainda a gravidade de um escândalo. A cooperação voluntária ao suicídio é contrário à lei moral. Distúrbios psíquicos graves, a angústia ou o medo grave da provação, do sofrimento ou da tortura podem diminuir a responsabilidade do suicida”.
Portanto, ninguém deve pensar que a pessoa que se suicidou esteja condenada por Deus; os caminhos de Sua misericórdia são desconhecidos de nós. O Catecismo manda rezar por aqueles que se suicidaram:
§2283 – “Não se deve desesperar da salvação das pessoas que se mataram. Deus pode, por caminhos que só ele conhece, dar-lhes ocasião de um arrependimento salutar. A Igreja ora pelas pessoas que atentaram contra a própria vida”.
Certa vez o santo Cura D´Ars, São João Maria Vianney, ao celebrar a santa Missa notou que uma mulher vestida de luto estava no final da igreja chorando, seu marido havia suicidado na véspera, saltando da ponte de um rio. O santo foi até ela no final da Missa e lhe disse: “pode parar de chorar, seu marido foi salvo, está no Purgatório; reze por sua alma”. E explicou à pobre viúva: “Por causa daquelas vezes que ele rezou o Terço com você, no mês de maio, Nossa Senhora obteve de Deus para ele a graça do arrependimento antes de morrer”. Não devemos duvidar dessas palavras. Um abraço, Pe. Fróes.
3ª pergunta: Pode o cristão jogar na loto, sena, loteria esportiva, estadual e federal? (N.R – Rio Bonito – RJ)
Caríssimo N, a bíblia não trata expressamente da questão de jogos e loterias. Por isso, para nos orientarmos diante do assunto, precisamos ter princípios que nos levam a conclusões favoráveis ou contrarias a participação do cristão em jogos e loterias;
O ato de participar de uma loteria não é pecado. O desejo de ganhar lucros de maneira legal não transgride nenhum mandamento da lei de Deus, desde que a maneira pela qual se obtém o lucro não fira os princípios do amor a Deus e ao próximo. O lucro fácil que pode advir de uma loteria também não se constitui, em si, algo condenável. Sendo assim, jogar ou não na loteria está dentro da liberdade cristã, sendo questão de foro íntimo;
Quando a liberdade cristã é chamada a agir, imediatamente se encontra sob a luz do conteúdo das passagens bíblicas de 1Cor 6,12: “Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas me convêm” e 1Cor 10,23: “Todas as coisas são lícitas, mas nem todas convêm; todas são lícitas, mas nem todas edificam.”;
Os totais distribuídos pelos prêmios ( somas expressivas ) podem despertar a ganância dentro de nós. Decorre disso que o ato de jogar nasceria de um desejo ganancioso, o que transformaria o ato em algo condenado por Deus, que combate à ganância nos dois últimos mandamentos do decálogo.
Há o perigo da escravidão ao jogo, quando o ganhar se torna uma obsessão, dominando completamente os pensamentos da pessoa. Nesse ponto, ela já perdeu a sua liberdade. A Bíblia não recomenda a procura de grandes riquezas e fortunas ( Mt 6,19 ). O acúmulo delas pode ter efeitos negativos sobre quem as detém ( por exemplo, tornar-se um “deus” que destrona a Deus do coração da pessoa ). Essa possibilidade leva-nos a algo que poderá trazer resultados negativos para o nosso relacionamento com Deus.
Portanto, entre jogar ou não na loteria, a decisão depende muito mais de um critério de conveniência do que um sim ou não taxativo a priori. O cristão, conhecedor daquilo que passa no seu intimo, decidirá, na sua liberdade, sobre a conveniência ou não do ato. A sua consciência iluminada pela palavra de Deus, partirá para um posicionamento que lhe pareça responsável e correto diante do seu Deus.
Um comerciante cristão pode, de sã consciência, vender em seu estabelecimento comercial objetos que promovam a macumba, a feitiçaria, a superstição e a idolatria, tais como velas coloridas, charutos, fitas, etc.?
“Os jogos de azar (jogos de cartas etc.), ou as apostas, em si não são contrárias à justiça. Tornam-se moralmente inaceitáveis quando privam a pessoa daquilo que lhe é necessário para suprir suas necessidades e as dos outros. A paixão pelo jogo corre o risco de se transformar em uma dependência grave. Apostar injustamente ou trapacear nos jogos constitui matéria grave, a menos que o dano infligido seja tão pequeno que aquele que o sofre não possa razoavelmente considerá-lo significativo.” (§ 2413)
O ensino da Igreja é claro: o jogo, em si, não constitui pecado, a não ser que traga prejuízos para quem joga ou para pessoas que vivam às expensas do jogador. Há que se evitar também, obviamente, a desonestidade e a trapaça. No mais, a questão pode ser sintetizada numa palavra: moderação.
Um abraço.
Pe. Fróes.
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