Se olharmos atentamente para a realidade que nos envolve, verificamos que, nas últimas décadas, verificou-se, na nossa sociedade, a ocorrência de um conjunto de profundas mudanças culturais, mudanças essas que colocam dificuldades sempre diferentes à educação da fé. Com efeito, se procedermos a uma atenta análise à situação actual da catequese, aferimos que a situação dos catequizandos apresenta-se cada vez mais diversificada, tanto a nível etário, bem como no que diz respeito à sua prática religiosa.
Senão vejamos:
- muitas crianças chegam à catequese sem um conhecimento mínimo dos princípios que orientam a vida cristã;
- a indiferença religiosa difunde-se cada vez mais;
- aparecem igualmente muitos adultos e jovens com percursos muito variados;
- a ignorância religiosa continua profunda, apesar de muitos completarem o itinerário de dez anos;
- o afastamento da prática dominical parece aumentar, de tal forma que, muitas crianças que frequentam a catequese, não participam na Missa dominical, e chegados ao Crisma, são bastantes os que abandonam a prática da Eucaristia.
Assim, tendo a catequese a missão de anunciar a Palavra de Deus, a fim de despertar a fé nos catequizandos, verifica-se, no entanto, que estes se encontram cada vez menos predispostos para responder ao anúncio do Evangelho.
Ora, esta situação precisa de ser consciencializada e reflectida por todos nós. Na verdade, estaremos nós a formar discípulos de Jesus Cristo se, após dez anos de catequese, estes não estão esclarecidos sobre os elementos fundamentais do cristianismo, não têm contacto habitual com a Eucaristia, não mostram prática da oração nem necessidade de escutar a Palavra de Deus?
Para que a catequese realize eficazmente a transmissão da fé num mundo culturalmente adverso, torna-se, pois, urgente que todos os membros da comunidade cristã, pedras vivas da Igreja, se consciencializem das suas responsabilidades e assumam, todos, o seu compromisso para com a missão evangelizadora da Igreja. A este respeito, na sua Exortação Apostólica Catechesi Tradendae, João Paulo II afirma que todos os cristãos, cada um a seu modo e de acordo com a sua vocação, são responsáveis pela actividade missionária da catequese: A catequese não é uma função meramente individual, mas deve realizar-se sempre na dimensão da comunidade cristã (CT 24), sendo dever de toda a Igreja anunciar o evangelho a todas as pessoas e ajudá-los a crescer na fé.
Na verdade, na vida das comunidades, a fé cristã torna-se um acontecimento vivido e actual, onde cada cristão testemunha a sua fé em gestos e formas de viver. Nas actividades eclesiais da comunidade, a Palavra de Deus alcança a sua plena realização como Palavra proclamada no anúncio do evangelho. Numa cultura marcada pelo visual e sensível às experiências vividas, a vida da comunidade cristã é, pois, um apoio indispensável na educação da fé. A catequese é, logo, uma acção educativa que se realiza a partir da responsabilidade própria de cada membro da comunidade, num contexto comunitário rico de relações, para que os catequizandos se insiram activamente na vida da comunidade.
Não obstante, ainda que todos tenham uma mesma responsabilidade comum que é a de educar o catequizando na fé, a cada membro são atribuídas responsabilidades pastorais diferentes:
- Aos pastores compete procurar que a catequese seja, efectivamente, uma actividade prioritária na missão pastoral, dedicando-lhe os melhores recursos de pessoal e de energia, escolhendo e formando pessoas qualificadas (CT 15); estimular em todos os membros da comunidade a consciência da sua responsabilidade pela missão da catequese; e integrar a acção catequética na pastoral global, cuidando especialmente da ligação entre catequese, sacramentos e liturgia (DGC 225).
- Por sua vez, a família exerce uma influência decisiva na educação humana e cristã dos filhos, enriquecendo-os com o património moral e espiritual que vem do cristianismo. Os pais são, pois, chamados a comunicar aos filhos formas de viver que estejam em sintonia com o evangelho. O seu contributo é insubstituível, uma vez que a fé é uma forma de vida que se comunica e não uma doutrina a inculcar. No entanto, verifica-se, hoje, que os pais se têm vindo a afastar da responsabilidade de primeiros e principais educadores na fé. Sendo assim, a comunidade cristã não pode substituir os pais, mas deve colaborar com eles na educação dos filhos. Como frequentemente os pais não estão devidamente consciencializados da importância da sua missão, é, hoje, urgente e indispensável que as comunidades, os seus pastores e demais agentes definam um projecto de sensibilização e de formação de pais que integre um conjunto de propostas adequadas às suas situações e possibilidades, tais como: reuniões periódicas bem preparadas com os pais e formação cristã destinadas aos mesmos, aproveitando mesmo os tempos dos encontros de catequese dos filhos para uma catequese paralela com os pais.
- Por fim, os catequistas ocupam um lugar especial na transmissão da fé, uma vez que, é em nome da comunidade, que estes orientam os vários grupos da catequese. Os catequistas são, na verdade, o rosto e porta-voz da fé da Igreja e testemunhas da experiência de fé das comunidades. Enquanto educadores da fé, os catequistas são o coração das nossas comunidades, iniciando os catequizandos nas várias dimensões da fé: na oração, na celebração da liturgia e no comportamento cristão, a partir da sua própria experiência pessoal de vida cristã. Dada a importância da sua missão fazer dos catequizandos verdadeiros discípulos de Jesus Cristo a escolha criteriosa e a formação sólida dos catequistas deve ser considerada uma prioridade. Com efeito, ninguém nasce catequista. Aqueles que são chamados ao exercício de educar na fé tornam-se bons catequistas através da prática, da reflexão, da formação adequada, bem como da consciencialização da importância da sua missão.
Na sua exortação apostólica Catechesi Tradendae, João Paulo II afirma que a actividade catequética é uma tarefa verdadeiramente primordial na missão da Igreja.
Numa sociedade marcada por diferentes formas de pensar e agir, e onde se torna cada vez mais patente a necessidade de uma nova evangelização, a Igreja precisa, hoje, de catequistas concretos e firmes nas suas convicções cristãs, e que sejam capazes de dar um testemunho real da fé que professa. O sucesso da actividade catequética depende, antes de mais, de catequistas bem formados, preparados e conscientes da importância do seu ministério apostólico. Com efeito, num contexto cultural repleto de novos valores, exigências e desafios, já não é suficiente dar uma resposta vaga e indecisa a quem pergunta pelas razões da nossa fé, mas antes, e sobretudo, uma resposta consciente e verdadeira.
Para responder a este desafio, torna-se premente a necessidade de formar catequistas possuidores de uma fé profunda, com uma clara identidade cristã e eclesial, com preocupação missionária e com profunda sensibilidade social e cultural.
Organização Paroquial
Ora, neste processo de renovação da Igreja, a catequese não pode continuar a ser entendida como uma simples iniciativa baseada na boa vontade de alguns e na improvisação. Daí decorre a necessidade de pensar, de organizar e de actualizar a catequese; buscar novos rumos; animar os catequistas e criar, entre todos os membros da comunidade, uma autêntica comunhão eclesial, pois todos partilham da missão evangelizadora da Igreja. O proprio Directório Geral da Catequese aponta para a importância de uma efectiva coordenação da catequese da comunidade cristã, uma vez que esta visa a unidade da fé, a qual sustenta todas as acções da Igreja (DGC 272). Com efeito, a organização da catequese na paróquia não é uma dimensão meramente superficial que pertença só ao pároco e ao catequista. Pelo contrário, é importante a formação de uma equipa coordenadora que assuma a sua missão aticuladora e animadora da catequese, promovendo a união de esforços e fomentando, entre os seus membros, a participação, a cooperação, a co-rresponsabilidade, de forma a tornar efizaz todo o processo catequético. As pessoas convidadas a formar esta equipa têm que ter um coração grande, cheio de amor, humildade, abnegação e simplicidade, a fim de realizarem, com alegria, a missão para que foram convocados.
Por outro lado, salienta-se que, a cada um dos membros integrantes desta equipa coordenadora, são atribuídas responsabilidades distintas. Vejamos:
O Pároco é o primeiro responsável, como delegado do bispo, na organização da catequese na comunidade cristã. A ele compete-lhe:
- suscitar na comunidade cristã o sentido da responsabilidade comum em relação à catequese, como uma tarefa que a todos envolve, bem como suscitar o reconhecimento e o apreço pelos catequistas e pela missão que desempenham;
- suscitar e discernir vocações para o serviço catequético e, como catequista dos catequistas, cuidar da sua formação;
- integrar a acção catequética no projecto evangelizador da comunidade;
- assegurar a relação entre a catequese da sua comunidade e os planos pastorais diocesanos, ajudando os catequistas a tornarem-se cooperadores activos de um projecto diocesano comum, bem como cuidar da organização de fundo da catequese e da sua adequada programação, contando com a participação activa dos próprios catequistas e estando atento, para que seja bem estruturada e bem orientada.
No que respeita esta organização, refere-se que, antes do ano pastoral terminar, o pároco deve dar início à organização do próximo ano catequético, com a equipa coordenadora. O pároco representa a catequese no seu todo; nada se organiza sem o seu consentimento.
O coordenador é um catequista eleito pelos catequistas e pelo pároco ou escolhido por este. Deve exercer o seu ministério com alegria e ser o elo de unidade entre os vários membros da comunidade.
Tem por missão:
- animar os catequistas;
- abrir novos horizontes;
- actualizar-se continuamente, estando em sintonia com as orientações diocesanas;
- criar um clima de acolhimento, de partilha e de confiança entre todos os membros.;
- estar atento ao cumprimento do programa, aos registos de assiduidade dos catequizandos, como também dos catequistas e a sua pontualidade;
- incentivar e auxiliar a realização de reuniões de pais com os catequistas.
O coordenador caracteriza-se, assim, pelo serviço que presta como animador, pela distribuição das tarefas, pela confiança que deposita nos catequistas, pelo amor aos catequizandos e aos pais dos catequizandos, pela vivência comunitária, pela preocupação com a formação dos catequistas, pelo relacionamento humano, afectivo, carinhoso e alegre, mesmo nas dificuldades. Deve ser uma pessoa aberta capaz de acolher sugestões, aceitar com humildade as críticas, apontar sempre uma luz nas horas difíceis.
Acima de tudo, o coordenador deve elaborar um projecto catequético participado, capaz de gerar um processo de educação da fé na comunidade.
O Secretário é proposto pelo coordenador ou eleito para executar o processo burocrático, ou seja, manter os dados da organização catequética paroquial em dia. O secretário vai actualizando o ficheiro de catequistas, dos catequizandos, dos anos de catequese, e regista informações importantes da catequese paroquial ou diocesana, comunicando aos catequistas as informações recebidas através de uma circular, quadro de avisos
Este preenche e entrega as informações que lhe forem pedidas; mantém o quadro de avisos com as informações úteis para a catequese, mensagens, aniversários e actividades conjuntas.
O tesoureiro também é proposto pelo coordenador ou eleito. A sua função é coordenar as contas e fazer os balanços. É ele que compra os materiais necessários (catecismos, guias, cartolinas...), mas deve apresentar periodicamente as contas à equipa coordenadora e trabalhar em estreita ligação com o Conselho Económico Paroquial.
Não obstante, ainda que, a cada um destes membros integrantes da equipa coordenadora sejam atribuídas responsabilidades diferentes na organização do processo catequético, esta tem também tarefas comuns, as quais devem ser realizadas com a plena participação de todos os seus membros, a saber:
Animação: A primeira tarefa da equipa deverá ser a de criar condições, para que todos os catequistas participem do trabalho realizado na paróquia. Animar significa gerar vida e entusiasmado significa cheio de Deus. Estas duas características são importantes numa equipa, para que esta tenha capacidade de criar condições de levar todos os membros da comunidade a participar com entusiasmo e a esforçarem-se por uma busca do melhor para a comunidade cristã;
Comunhão fraterna: A equipa coordenadora deve fomentar a comunhão fraterna entre os catequistas, para que estes se tornem testemunhas vivas daquilo que anunciam. Assim, a equipa deve:
- incentivar a um bom nível de relacionamento interpessoal entre o grupo de catequistas;
- ajudar cada um a conviver com as diferenças uns dos outros;
- proporcionar espaços de partilha construtiva, numa visão de fé;
- criar um ambiente fraterno, de alegria e responsável, para que a convivência do grupo se torne um bom testemunho na comunidade cristã;
- incentivar à participação em eventos sectoriais da Arquidiocese;
- ter presente que a comunidade custeie o estudo e formação dos catequistas;
- promover acções de formação permanente.
Antes de anunciar a Palavra de Deus e formar comunidade, o grupo de catequistas deve formar, entre eles, uma verdadeira comunidade de discípulos do Cristo, que sirva de ponto de referência para os catequizandos.
Mobilização: A equipa coordenadora deve promover a união entre todos, apesar das diferenças pessoais de cada um. Esta mobilização deve passar por todas as pessoas que formam a comunidade, através de uma boa articulação e coordenação, sempre numa linha de co-responsabilidade;
Organização: É tarefa desta equipa organizar todo o ano de catequese e ajudar os catequistas a superar as suas dificuldades, mesmo no âmbito da organização por anos.
Por fim, sendo, sem dúvida, a planificação anual do Ano Catequético uma das actividades mais importantes e trabalhosas que a equipa coordenadora realiza, deixamos, aqui, em jeito de partilha, uma possível forma de planificar o ano catequético:
Planificação anual
Uma boa organização parte sempre da avaliação final do ano. Assim, ao terminar o ano pastoral, já se deve planificar o ano seguinte. Aliás, é importante saber-se, com antecedência, se há catequistas suficientes para o próximo ano, assim como a definição das datas, para que não haja coincidência de compromissos, pelo que a articulação com o Conselho Pastoral Paroquial é imprescindível.
Deste modo, numa reunião do conselho da catequese, ou, na falta deste, da equipa coordenadora deve determinar-se:
- o começo e término da catequese;
- as pausas intercalares, se as houver;
- as festas do Itinerário Catequético (ter presente as diferentes propostas dos catecismos);
- as celebrações que contemplem a presença de todos os catequizandos e mesmo a participação da comunidade (Natal, Páscoa, Penitenciais, Via-sacra
);
- as reuniões de catequistas;
- as reuniões com os pais (gerais e por cada ano);
- as festas e convívios (magusto, passeio, festa do Bom Pastor, festa de encerramento
);
- a catequese e a liturgia;
- a missa com a participação das crianças;
- o mês de Maria;
- a Quaresma e a vivência do Tríduo Pascal
- outras devoções da religiosidade popular (padroeiro da Paróquia
).
- etc
No que respeita a planificação de cada ano catequético, o catequista responsável de cada ano e seus colaboradores devem planificar o seu ano catequético tendo em atenção a planificação geral da catequese. É conveniente conjugar bem o tempo, tendo presente cada bloco, e, ao mesmo tempo, o caminhar do ano litúrgico.
Concluindo, coordenar é, pois, integrar, dinamizar e incentivar a caminhada da catequese, em harmonia com as opções diocesanas, paroquiais, e segundo as exigências de uma catequese renovada. Como condição essencial para o correcto exercício da sua missão, aqueles que integrarem esta equipa deverão ser dotados de uma grande capacidade de empenho, de entusiasmo; espírito de comunhão e participação; humildade; testemunho de vida; capacidade para trabalhar em equipa, afectividade e espírito de fé e oração.