- Histórico
O Livro do Levítico prescreve :
- Depois, todos vós contareis sete semanas completas, a partir do dia seguinte ao da festa, do dia em que tiverdes oferecido o omer balanceado. Contareis até ao dia seguinte da sétima semana, isto é, cinquenta dias, e oferecereis ao Senhor uma nova oblação. (Lev.23/15-16).
No hebreu esta "Festa das Semanas" é conhecida como Shavuot (literalmente "semanas").
Pentecostes é uma palavra que vem do grego e significa quinquagésima ou espaço de 50 dias, e já foi usada :
* Na cegueira e resignação de Tobias :
- Ora, pela festa do Pentecostes, que é a festa das Semanas, tendo-me sido preparado um almoço, reclinei-me para comer. (Tob.2/1).
* Na vitória de Judas sobre os povos vizinhos :
- Em seguida entraram em Jerusalém, porque a Festa das Semanas se aproximava. Passada a Festa de Pentecostes, avançou contra Górgias, chefe militar da Idumeia. (2 Mac. 12/31-32).
A Festa das Semanas ou o Pentecostes, foi originariamente um festival agrícola durante o qual eram oferecidos como sacrifício ao Senhor, em acção de graças pelas boas colheitas, os primeiros frutos e cereais da terra. O Livro do Êxodo especifica a festa da Páscoa, a festa do Pentecostes, a festa dos Tabernáculos e a festa das três peregrinações :
- Celebrarás três vezes por ano festas em Minha honra.
* Primeiramente comerás a festa dos Ázimos. Durante sete dias, como te ordenei, comerás pães sem fermento, no mês de Abib, visto teres saído então do Egipto; e ninguém se apresentará diante de Mim com as mãos vazias. (Êx.23/14-15).
* Comemorarás, a seguir, a festa da colheita, festa das primícias do teu trabalho, do que semeaste nos campos; e a festa do Outono, ao declinar do ano, quando recolheres dos campos todos os seus frutos.(Êx.23/16).
* Três vezes por ano, todos os teus varões apresentar-se-ão diante do Senhor. (Êx.23/17).(cf.Êx.34/18-24; Deut. 16/16; 2 Par.8/13).
A data do Pentecostes era tradicionalmente calculada como 50 dias a contar do primeiro dia da observância da Páscoa. Em adição ao significado de festival agrícola, a festa dos judeus Shavuot comemora também a revelação da Lei (Torah) a Moisés no monte Sinai, promulgada sete semanas depois da saída do Egipto.
Embora esta associação das duas festas não conste do A. Testamento, todavia ela é mencionada na literatura rabínica. É referida como "o tempo de apresentar o Torah", o aniversário da revelação do Sinai. A descrição do Êxodo a respeito da teofania do Sinai (Êx. 19/1 até 20/26) é a leitura do Torah para o primeiro dia da festa, e o Édito de Ciro é a visão teofânica de Esdras.(Esd. l - 2).
Para os Cristãos o Pentecostes adquire uma nova dimensão e um novo significado, segundo os Actos do Apóstolos (Act.2/1-41), em que a celebração da festa é a ocasião para o Espírito Santo descer sobre os Apóstolos reunidos em oração, na forma de "línguas de fogo", distribuídas a cada um deles :
- Viram, então, aparecer umas línguas à maneira de fogo, que se iam dividindo, e poisou uma sobre cada um deles. (Act.2/3).
Diz on Catecismo da Igreja Católica :
731. - No dia de Pentecostes(no termo das sete semanas pascais), a Páscoa de Cristo completou-se com a infusão do Espírito Santo que Se manifestou, Se deu e Se comunicou como pessoa divina : da sua plenitude, Cristo Senhor derrama em profusão o Espirito.
O fogo está associado com a presença de Deus na teofania do Sinai :
- Todo o monte Sinai fumegava, porque o Senhor havia descido sobre ele no meio de chamas. O fumo que se elevava era como o de um forno e todo o monte estremecia violentamente.(Êx.l9/18).
O discurso de Pedro no dia de Pentecostes (Act. 2/14-36) é uma explicação para os discípulos da manifestação escatológica da visão do profeta Joel :
- Depois disto acontecerá que derramarei o Meu Espírito sobre toda a carne : os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão; os vossos anciãos terão sonhos, e os vossos jovens terão visões. Naqueles dias derramarei também o Meu Espírito sobre os escravos e as escravas. Farei aparecer prodígios no céu e na terra, sangue, fogo e turbilhões de fumo...(Act.2/17-19).
A primitiva Igreja celebrava o Pentecostes, embora em continuação do festival judeu até ao fim do século II, e a ele se refere S. Paulo : - Ficarei, no entanto em Éfeso, até ao Pentecostes... (1 Cor. 16/8).
Nos fins do século IV a festa da Ascensão era celebrada em algumas partes da Igreja, 40 dias depois da Páscoa. Originariamente, o mistério do fim da presença de Jesus vivo entre os seus discípulos, era observado como fazendo parte da descida do Espírito Santo no 50º dia, ou Pentecostes. E foi a partir daqui que se deixou de celebrar o festival judeu na Comunidade Cristã. Os dias da semana entre a Ascensão e o Pentecostes era o período de preparação para a vinda do Espírito Santo a que se chama a novena do Pentecostes :
- E todos unidos pelo mesmo sentimento, entregavam-se assiduamente à oração... (Act. 1/14). Diz o Catecismo da Igreja Católica:
2623. - No dia de Pentecostes, o Espírito da promessa foi derramado sobre os discípulos, "reunidos num mesmo lugar" (Act.2/1), enquanto O esperavam "todos numa só alma", entregues "assiduamente à oração" (Act.1/14). O Espírito que ensina a Igreja e lhe recorda tudo quanto Jesus disse vai também formá-la para a vida de oração.
Depois do Pentecostes, com a força do Espírito Santo, os Apóstolos começaram desassombradamente a pregar a doutrina de Jesus, isto é, nasceu a Igreja. Diz o Catecismo da Igreja Católica :
767. - "Consumada a obra que o Pai confiou ao Filho para cumprir na Terra, foi enviado o Espírito no dia de Pentecostes, para que santificasse continuamente a Igreja (LG 4). Foi então que "a Igreja foi publicamente manifestada diante duma grande multidão".
No primeiro dia, todos os estrangeiros entendiam a pregação na sua própria língua e logo depois baptizaram-se cerca de 3000. No Calendário Litúrgico da Igreja, o Pentecostes é celebrado 50 dias depois da Páscoa, e é esta solenidade que encerra o tempo pascal. Diz o Catecismo da Igreja Católica :
1076. - No dia de Pentecostes, pela infusão do Espírito Santo, a Igreja manifesta-se ao mundo. O dom do Espírito inaugura um tempo novo na "dispensação do mistério"; o tempo da Igreja, durante o qual Cristo manifesta, torna presente e comunica a sua obra de salvação pela Liturgia da sua Igreja, Cristo vive e age, agora na sua Igreja e com ela, de modo novo, próprio deste tempo novo...